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“Ei, Ipsilom! Msg pra vc :(”

Ah! A Geração Y.

Cheia de vida, cheia de recursos, cheia de sonhos. Vazia em modéstia. Isto mesmo. Afinal, quem disse que vocês já nasceram prontos? Porque é isto que insistem em acreditar. Quem disse para vocês que trabalhar é ruim? Que fazer carreira em uma empresa é ultrapassado? Quem contou que não é necessário conversar? Que um fone de ouvido é melhor companheiro que uma conversa ao pé do ouvido? Quem colocou em suas cabeças que o mundo está a seus pés? Que chefes são idiotas? Quem implantou esta realeza em suas barrigas? Quem fez acreditar que vocês podem ganhar dinheiro sem suar? Ganhar reconhecimento sem se dedicar? Quem conseguiu convencê-los de que aquela primeira ideia que vocês tiveram é a melhor do mundo? E que é preciso um apego tão grande por ela em um mundo voltado para o crowdsourcing? Quem falou que não é preciso ouvir? Ler? Escrever? Que não precisam rabiscar, desenhar ou planejar?

Ah! A Geração Y.

Quem contou pra vocês que a busca da felicidade passa pela falta de compromisso? Que o que importa é “apenas o meu futuro”? Quem pediu para vocês serem tão rasos, sem explorar a fundo todas as suas incríveis competências? E olha que são tantas. Vocês, muito mais que eu, nasceram para o mundo atual. Não sou tão velho. Estou chegando perto das quatro décadas. Sou da chamada Geração X. Vivi os anos oitenta, noventa e dois mil com intensidade. E acho que é isto que lhes falta. Conseguir ajustar esta intensidade. Conseguir ter foco. Conseguir realizar. Aproveitar de fato este jeito multimídia de ser e não ficar só na promessa. Buscar desenvolver-se o tempo todo. Como profissional. Como pessoa.

Tudo o que eu queria há 20 anos, era provar meu potencial. Mostrar que eu podia ir longe. Mas boas conversas me mostraram que eu antes precisava “camelar”, pedalar, correr, ralar, ralar, ralar, ralar e suar muito para chegar a algo que realmente me desse orgulho. Quis a vida que eu tivesse alguns chefes idiotas. Pelo menos era assim que eu também pensava na época. Hoje os considero brilhantes. Mostraram-me atalhos. Somente depois que aceitei a minha incapacidade. Depois que percebi que eu não era a ultima bolacha do pacote. Os tempos eram outros. Sujeitei-me a realizar tarefas que não são pensadas hoje. Trabalhei por valores muito mais módicos. Sou do tempo, por exemplo, em que estagiário não tinha direitos. E não precisava ter. Precisava era trabalhar muito, ficar depois do horário, trampar nos finais de semana e ganhar absolutamente a mesma coisa. Não morri por conta disto. Pelo contrário. Cresci e isto me deu condições de requerer trabalhos e salários melhores. Hoje é diferente. Em um cenário de pleno emprego, recém-formados causam espanto em entrevistas ao pedir alto, muito alto. Não quero tirar o valor de ninguém, mas vocês já se perguntaram quanto precisam trazer de retorno para a empresa em que pretendem trabalhar. Poucos pensam nisto.

Ah! A Geração Y.

Se vocês leram até aqui sem ficar pensando “quem é este cara, para dizer isto”, ganharam um voto de confiança meu. Se conseguirem encontrar algo que faz sentido, ganharam dois. Se ficaram mordidos com a minha acidez, ganharam um bônus. Passar por uma provação, por uma crítica, é algo que poucos sabem como fazer hoje em dia. Mas é essencial para a construção das suas carreiras, das suas vidas.
Sempre me perguntam em palestras qual conselho daria para os jovens que estão entrando no mercado de trabalho. Se pudesse escolher apenas um, diria humildade. Trago ela a tiracolo. Em um segmento alimentado pela fogueira de vaidades, realmente não é fácil ser singelo e manter-se firme. Mas acreditei neste caminho. Ele me trouxe até aqui. Aliás, recebi recentemente o prêmio de Empresário do Ano de Design, do Colunistas Paraná. Isto deve valer algo. Deve ter sido muito mais por ouvir, que falar. Mas às vezes é preciso falar (ou escrever) para que os outros ouçam algumas verdades. Mesmo que depois eu acabe escutando o que não queria.
Estas constatações que coloco neste texto são fruto de conversas constantes com outros empresários e “chefes”. Já cheguei a acreditar que não estava preparado para trabalhar com a Geração Y. Já ouvi vários consultores em recursos humanos comentarem sobre o assunto, colocando a responsabilidade nas chefias. Mas quando você percebe que esta é a mesma análise de outros “chefes” supercompetentes, algo está errado. Talvez até os consultores.

Ei! Geração Y!!

Procure pensar se você em algum momento já se encaixou com algum comportamento descrito aqui. É claro que existem exceções. E aqui vai uma mensagem para vocês. Estamos loucos procurando por elas. São elas que ainda nos dão a esperança de que esta geração pode construir muito. Mas vocês precisam correr! Mais uns dias e a Geração Z está nos seus calcanhares. Sei. Você deve estar pensando em vários exemplos de pessoas da sua geração que deram certo. Realmente eles existem. Mas com o nível de informação e recursos de hoje, tenho a impressão de que poderiam ser em número muito, mas muito superior.

X, Y ou Z. Como diria um colega, “pra nossa sorte o alfabeto está acabando”.

 

Texto publicado na coluna Mundo com Design do site 1pg.

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Tulio Filho é designer gráfico e administrador de empresas. Atua no mercado de comunicação e design há 18 anos. Passou por diversas agências e escritórios, conquistando prêmios de âmbito nacional e internacional. Há 12 anos fundou a Blu Design e Comunicação onde atua como Diretor de Planejamento. É atual presidente da ProDesign>pr – Associação para o Design do Paraná e conselheiro do Centro de Design Paraná e foi eleito recentemente Empresário de Design do Ano pelo Prêmio Colunistas Paraná.

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