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Qual o valor do design?

Não é exagero dizer que tudo está impregnado com design. Você que me lê neste instante, acorda em uma cama projetada pelo design, levanta e caminha até seu banheiro. Lá, se depara com um vaso sanitário assinado por um designer, e se fizer como sua mãe mandou, lavará sua mãozinha através de uma torneira definida pelo design. Pegará uma escova de dente e uma embalagem de creme dental, ambas criadas por designers. Ah! A marca que está na embalagem possivelmente tem a mão do design também. E por aí vai.

Geladeira, café, xícara, leite, talheres, roupas, celular, relógio, botão do elevador (ou maçaneta da porta), carro ou ônibus (preferencialmente bicicleta), sinalização na rua, até você sentar na sua cadeira, em frente à sua mesa, onde está seu monitor (design, design, design) e abrir seu browser (design), para ler esta coluna (design).

Paralelo a isto e parafraseando nosso último ex-presidente, nunca antes na história deste país se falou tanto em design. Ele está presente em revistas (de arte até fofocas), jornais, TV (já virou até profissão de protagonista de novela), seminários, workshops, feiras, debates, livros de autoajuda e principalmente, na gestão das empresas. Um cenário bem interessante e que me leva a fazer um questionamento.

Se hoje o design deixasse de existir, o que aconteceria com nossas vidas? Pergunto para tentar de alguma forma explicar como uma mesma empresa que investe “X” dinheiros em uma embalagem, por exemplo, investe “ene” vezes mais dinheiros em apenas uma veiculação de um anúncio deste mesmo produto. Isto sem contar o investimento na celebridade que promoverá aquela nova embalagem ou mesmo na agência que criará o anúncio. Não quero aqui de forma alguma desmerecer o trabalho de meus colegas publicitários e marqueteiros.

O que proponho é uma reflexão baseada na busca de um equilíbrio maior nestes investimentos. Na busca de uma valorização do design como estratégia fundamental em qualquer negócio que seja desenvolvido no planeta Terra.

Não é por falta de resultado. Recentemente tive a oportunidade de participar de um projeto em que o frasco de um produto foi totalmente reformulado. Alguns meses de trabalho tanto do lado dos designers como do lado da produção para se chegar a algo realmente inovador. O resultado: 89% de aumento no volume de vendas para um produto com baixíssimo investimento em comunicação. Ou seja, o consumidor buscou o produto justamente pelo efeito “destacador” do design. Assim como este exemplo, vemos na web e no dia a dia, várias situações onde é evidente o dedinho do design.

Sem dúvida alguma temos no Brasil um design forte e criativo, mas que ainda não conseguiu estabelecer uma relação de valor mais fiel ao resultado que gera. E isto não é culpa apenas do mercado consumidor de design. Os próprios designers possuem uma imensa dificuldade em gerar valor para eles mesmos. Ainda existe um gap razoável entre o head designer de um estúdio e o homem de negócios que propõe soluções. Este trabalho pode ser facilitado pelas iniciativas recentes de associações profissionais e empresariais que surgiram nos últimos anos. A ProDesign>pr é uma delas.

Às vésperas de uma provável regulamentação da profissão (sim, se você não sabia, design ainda não existe legalmente como profissão no Brasil), virar a chave que faz com que o design deixe de ser custo para tornar-se investimento passa a ser o objetivo de todos os envolvidos neste grande e próspero negócio. Resta saber quanto tempo ainda temos pela frente para que este equilíbrio aqui proposto passe a ser real.

Texto publicado na coluna Mundo com Design do site 1pg.

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Tulio Filho é designer gráfico e administrador de empresas. Atua no mercado de comunicação e design há 18 anos. Passou por diversas agências e escritórios, conquistando prêmios de âmbito nacional e internacional. Há 12 anos fundou a Blu Design e Comunicação onde atua como Diretor de Planejamento. É atual presidente da ProDesign>pr – Associação para o Design do Paraná e conselheiro do Centro de Design Paraná e foi eleito recentemente Empresário de Design do Ano pelo Prêmio Colunistas Paraná.

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